
O dia acordou com
Um ar bonançoso,
O céu de um azul desbotado
Manchado de cinza;
As ruas encharcadas e sujas
Iam desajeitadas e, tão fora
De costume, cospiam sorrisos
Marulhados de imposturas;
Nenhum olhar atento
Que me trouxesse alento,
Nenhum olhar, assim,
Pousou em mim…
Na boca estancou a poesia
E dos lábios escoaram
Beijos bolorentos, também
Estanques e de mofa;
Enquanto os braços
Despencaram agonizantes
De afagos repelidos
Num dia qualquer…
A cada passo no asfalto
Movediço, a cidade parece
Querer me engolir, numa fome
Que me regurgitará em breve;
Não ando só… Tenho
A companhia desordenada
Dos seres que a fumaça
Do meu cigarro cria no ar…
Elas me fazem ver que ainda
Vivo…
Será?
Quiçá!
Patrícia Gomes
Imagem: Jean carlo (Simbioze)
Poesia inspirada pela leitura do texto da Lutrida







































Cleide Jean disse,
Novembro 16, 2007 às 9:55 pm
Como já falei lá no multi, amiga, simplesmente lindo!
Como sempre um acalanto aos olhos.
Bjssss
Alexis Kauffmann disse,
Novembro 17, 2007 às 3:46 pm
Viva ainda está
O quanto vive
Só suas letras podem dizer.
Patrícia Gomes disse,
Novembro 17, 2007 às 4:23 pm
E eu esperoque elas sejam capazes de dizê-lo bem, meu amigo… ;o)