Num desequilíbrio no tempo
desta meia noite quase límpida
engoli-me inteira
e, sem faz de conta, também
engoli todos os trincados espelhos
que estilhaçavam sorrisos
como a folha prata a encarcerar o bombom.
Não sei por onde vim,
mas deixo-me estar, equilibrando
sombras e sonhos,
com lágrimas a banharem
tacos e azulejos castanhos
dos meus olhos.
Mordo-me a boca
calando, com um gemido rouco,
todo o silêncio que arde…
Patrícia Gomes
Imagem: Equilíbrio by Sellath






































